sábado, 12 de janeiro de 2013

Vida Longa Ao Disparate
































- quem é que tá batendo na porta?

- sou eu, sua vizinha de baixo.

- olá, pode me dizer, precisa de algo?

- pode parar de tocar essa tua guitarra,
  às três da madrugada, preciso dormir,

- poderia me pedir, educada, agora só na marra,
  o que você pode fazer? pra me impedir?

- vou chamar a policia, não quero algazarra!

- tudo bem, eu vou parar, então,
  boa noite, pode ir.

meia hora passa,
um som estranho escuto,
minhas paredes trespassa,
vulgar, quase um insulto,
de outro apartamento,
maléfico invento,
eu sigo lá, bater, reclamar,
num tom, de falso culto.

- olá, será que você pode baixar esse volume?
  to tentando dormir...

- oi, ora, se não é você da guitarra,
  agora vem gritar, pra parar, com essa marra.

- espera, não queria que eu tocasse guitarra,
  pra que você pudesse escutar funk, com as vizinhas.

- ah, não pega nada, estamos apenas nos divertindo,
  a noite é pra ser divertida, até na minha idade...

súbito palpitar de fúria,
erupção emocional,
ódio do olhar, debandado,
explode malicioso, e quase letal...

- tudo bem, boa noite pra vocês,
  caso eu mude de ideia, me divirto com vocês;

de hora, um quarto;
toca àquela porta, novamente,
à campainha,
agudo tocar, vigoroso,
prontamente,
seria enfim, uma companhia?
entre tanta fornicação,
se renderia
o descabelado, àquela imposição?

- oi, ah voltou! o que você quer?


assédio, tapa na cara, imposição,
som tosco de putaria, merece diversão,
agarra a véia, guitarra na televisão,
vadias outras, me observam,
vem-me as duas em direção,
pra se divertir, fornicar,
musica tende a parar,
argumento melhor, ereção,
pra essas vacas, bocas calar,
violento, de cabelo o puxar,
enquanto fode uma,
põe a outra, pra melhorar;

velhinha destruindo,
queria se divertir,
diversão descobrindo,
verdadeira, a pedir,
que pare, não paro,
é raro, alguém lhe querer,
aproveite isto, antes de morrer,
mesmo gritando,
não atendo
mais ao meu poder,
quero me impor, me divertir
custe o quão custar,
mesmo que não suporte,
que eu venha a lhe matar;

na cara, esculacho, humilhação,
usada, usurpada,
eis-lhe a recompensa,
à hipocrisia, estupidez, prevaricar,
até a noite se findar,
sob o restar de filha da puta,
e fartas vadias,
muito boas pra enfiar...
toda noite, orgia, o prédio escuta
como se eu fosse me importar...
quer mais a velha, mais,
meto-lhe de novo, depois a estapear...
todas caídas no chão, adormecidas
vou tudo quebrar, quebrar,
com a guitarra, me vou embora,
embora, agora, esteja a amanhecer,
posso eu, ao menos, sob o alvorecer,
de minha varanda, meus riff' s tocar...

- Enfim... Só...









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